A celebração do golpe de 1964 e a reforma no currículo dos militares se tornaram duas pautas que o Ministro da Defesa, José Múcio, evita para não criar maiores tensões com as Forças Armadas. Afinal, a relação entre o governo e as forças se desgastou logo no início de 2023, devido à invasão de Brasília feita por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro.
Ministro da Defesa de Lula evita opinar sobre 2 temas importantes; veja quais são
Ambas as pautas são evitadas por José Múcio a fim de não criar conflitos com as Forças Armadas. Saiba quais são!
A medida tomada por Múcio, segundo os especialistas, é de cautela. Isso porque, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), houve diversas notas que celebraram o regime militar no Brasil.
Expectativa é saber como o Governo Lula irá tratar a data de 31 de março
Segundo apuração feita pelo Jornal O Globo, o Ministro da Defesa solicitou um levantamento das possíveis comemorações ou manifestações relativas à data de 31 de março. Após o estudo, percebeu-se que apenas durante o Governo Bolsonaro elas aconteceram.
Por esse motivo, Múcio pensa em usar como estratégia o silêncio, de modo a não lembrar do golpe de 1964, que aconteceu neste dia, nos canais oficiais do governo. Na gestão de Bolsonaro, houve celebrações, ainda que o regime militar tenha sido marcado por perseguições, torturas e pela violação dos direitos humanos.
De modo geral, a decisão de Múcio se alinha ao pedido jurídico feito pelo Ministério Público do Distrito Federal. Nele, é proibida qualquer mensagem governamental que celebre o golpe militar ocorrido em 1964.
Governo Bolsonaro já defendeu o Golpe de 31 de março de 1964
A polêmica do ex-presidente e a relação com as Forças Armadas foi um dos motivos que gerou o silêncio de Múcio sobre o comando da pasta. Isso porque, durante todo o tempo na presidência, as declarações de Bolsonaro foram de modo a minimizar o que aconteceu durante os 21 anos de ditadura no Brasil.
No ano passado, por exemplo, Bolsonaro declarou, em cerimônia oficial, “31 de março. O que aconteceu nesse dia? Nada. Nenhum presidente da República perdeu o mandato nesse dia. O Congresso, com quase 100% dos presentes, elegeu Castello Branco presidente à luz da Constituição.”
Na ocasião, até mesmo o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, pontuou em suas redes sobre a forte censura que ocorreu no período.
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Reforma curricular de militares também é assunto evitado por Múcio
Sobre a revisão do currículo de formação dos militares, a avaliação do Ministro da Defesa é de que o assunto pode ser tratado em um outro momento. Anteriormente, a ex-presidente Dilma Rousseff tentou alterar o conteúdo das academias militares e policiais, com a finalidade de valorizar temas como democracia e direitos humanos.
Contudo, com uma relação ainda delicada entre as Forças Armadas e o governo Lula, Múcio entende que não há prioridade em criar situações que possam desgastar ainda mais a participação do órgão com o Executivo do país.
Imagem: André Coelho / Agência Brasil
