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El Niño ganha força na primavera de 2026 e coloca clima do Brasil em atenção

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
Primavera

A primavera de 2026 começou nesta terça-feira (22), às 21h05, no horário de Brasília, e deve trazer uma mudança importante no padrão do clima brasileiro. A estação segue até 21 de dezembro e terá temperaturas elevadas em boa parte do país, além de uma distribuição bastante irregular das chuvas.

O fenômeno El Niño deve exercer influência importante nos próximos meses. Segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 75% de probabilidade de que o evento atinja uma intensidade histórica entre outubro e dezembro, superando os registros de El Niño anteriores desde 1950.

Na prática, a previsão aponta para um Brasil dividido: enquanto áreas do Sul e do Sudeste tendem a receber mais chuva, partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem enfrentar períodos mais secos e temperaturas acima da média. O cenário também aumenta a possibilidade de episódios de calor intenso e tempestades rápidas e severas.

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O que esperar da primavera de 2026

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A primavera é uma estação de transição entre o período mais seco e o período chuvoso em grande parte do Brasil. Com o avanço dos meses, aumenta o transporte de umidade da Amazônia para áreas do Centro-Oeste e Sudeste, favorecendo a formação de chuva.

O aquecimento também ganha força. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas médias passam a superar os valores típicos do inverno, com médias superiores a 28°C em áreas das regiões Norte e Nordeste e em pontos do interior do país.

Esse contraste entre calor, umidade e a passagem de frentes frias pode favorecer a formação rápida de tempestades, acompanhadas de chuva intensa, rajadas de vento, raios e, em alguns casos, granizo.

Por que o El Niño preocupa os meteorologistas?

O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. A mudança na temperatura do oceano altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. O fenômeno pode favorecer mais chuva no Sul, enquanto contribui para condições mais secas em áreas do Norte e Nordeste. A intensidade e a duração desses efeitos, porém, variam de acordo com a evolução do fenômeno e com outros sistemas atmosféricos.

Em setembro, o Inmet e outros órgãos brasileiros já apontavam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre de setembro, outubro e novembro.

A NOAA, em sua atualização mais recente, indica mais de 90% de chance de um evento muito forte no outono e inverno do Hemisfério Norte e 75% de probabilidade de que o episódio alcance uma intensidade histórica entre outubro e dezembro de 2026.

Isso não significa que todos os dias da primavera terão calor extremo ou chuva acima ou abaixo da média. A previsão climática indica tendências para períodos mais longos, enquanto a previsão do tempo para cada município pode mudar de um dia para outro.

Como fica o tempo no Sul?

O Sul deve ser uma das áreas mais chuvosas do país durante a primavera. A combinação entre sistemas frontais e instabilidades pode provocar episódios de chuva forte, temporais, rajadas de vento e granizo.

O Inmet também aponta a possibilidade de atuação de Complexos Convectivos de Mesoescala, sistemas que podem provocar chuvas intensas em pouco tempo, acompanhadas de descargas elétricas e ventos fortes.

Mesmo com o fim do inverno, o frio não desaparece imediatamente. A passagem de massas de ar frio ainda pode provocar quedas de temperatura, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Para a agricultura, o excesso de chuva pode dificultar o acesso de máquinas às propriedades e atrasar determinadas operações. Por outro lado, a maior disponibilidade de água pode beneficiar o desenvolvimento de culturas de verão e das pastagens.

Sudeste terá chuva irregular e calor aumentando

O Sudeste deve apresentar diferenças importantes entre os estados e até dentro de uma mesma unidade da Federação.

São Paulo, o sul de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro aparecem entre as áreas com tendência de receber volumes de chuva mais elevados. Já partes do norte de Minas, do Espírito Santo e do norte fluminense podem ter períodos mais secos.

A primavera também marca uma mudança gradual nas temperaturas. No começo da estação, a atuação de frentes frias ainda pode provocar períodos mais amenos, principalmente em São Paulo. Com a aproximação do verão, porém, o calor tende a ganhar força.

O aumento da umidade também favorece a formação de episódios de chuva intensa. Em situações de grande contraste entre massas de ar quente e frio, as tempestades podem se desenvolver rapidamente.

Centro-Oeste deve enfrentar períodos mais secos

A tendência para o Centro-Oeste é de maior irregularidade das chuvas, especialmente em áreas de Mato Grosso e Goiás.

A redução da precipitação, combinada com temperaturas elevadas, pode aumentar o déficit de umidade do solo e elevar o risco de queimadas em áreas que permanecerem secas por períodos prolongados.

Mato Grosso do Sul aparece em uma situação diferente, com previsão de condições mais favoráveis de chuva para determinadas atividades agrícolas.

O comportamento da chuva será particularmente relevante para o calendário de plantio da safra de verão, já que a primavera marca o início da retomada das precipitações em boa parte do Brasil central.

Norte pode ter calor acima da média

Na Região Norte, a tendência é de chuva abaixo da média em áreas importantes, principalmente no Amazonas e no Pará.

A redução das precipitações pode vir acompanhada de temperaturas elevadas. O Inmet explica que o aquecimento progressivo durante a primavera aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água é transferida do solo e das plantas para a atmosfera.

Em condições de pouca chuva e calor persistente, a combinação pode favorecer períodos de baixa umidade e aumentar a pressão sobre os recursos hídricos e a vegetação.

Nordeste deve continuar com pouca chuva em algumas áreas

O Nordeste também aparece entre as regiões que podem registrar precipitação abaixo da média durante parte da primavera.

A situação é particularmente relevante no norte da região. Pela climatologia do Inmet, áreas do norte do Piauí e do noroeste do Ceará normalmente já apresentam acumulados inferiores a 100 milímetros durante a estação.

Com a influência do El Niño, períodos de chuva reduzida podem se tornar mais frequentes em determinadas áreas. Ao mesmo tempo, o calor tende a aumentar, principalmente no interior.

Bahia, Maranhão e Piauí estão entre os estados que podem apresentar temperaturas acima da média em determinados períodos da estação.

Primavera também aumenta o risco de temporais

O aumento do calor não significa apenas dias mais quentes. A combinação de temperaturas elevadas com a chegada de frentes frias pode gerar condições favoráveis para tempestades severas.

De acordo com o Inmet, o aquecimento da primavera favorece a formação rápida de tempestades pelo contraste entre o ar quente e as massas de ar frio.

Por isso, um mesmo dia pode começar com sol e temperaturas altas e terminar com chuva forte, raios e ventos intensos.

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema responsável por organizar grandes áreas de chuva, também pode começar a aparecer durante a primavera. Quando ativa, pode provocar períodos prolongados de chuva no Sudeste e no Centro-Oeste, além de áreas do Norte.

O que muda para a agricultura?

A mudança no regime de chuva tem impacto direto sobre o campo. A primavera coincide com o início do plantio de importantes culturas de verão e, por isso, a regularidade das precipitações é fundamental.

No Sul, o excesso de chuva pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e atrasar operações agrícolas. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de água favorece culturas e pastagens.

No Centro-Oeste e em áreas do Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — períodos mais secos podem atrasar o início do plantio quando o solo ainda não apresenta umidade suficiente.

Em áreas irrigadas, a situação pode ser diferente, já que a disponibilidade de água para as lavouras reduz parte da dependência das chuvas.

O que o brasileiro deve esperar nos próximos meses?

A principal característica da primavera de 2026 será a diferença entre as regiões. Não haverá um único padrão de tempo para todo o país.

De maneira geral, a tendência indicada pelos órgãos meteorológicos é de:

  • Sul: maior frequência de chuva e possibilidade de temporais;
  • Sudeste: chuva irregular, com volumes maiores em algumas áreas e calor aumentando ao longo da estação;
  • Centro-Oeste: períodos mais secos e temperaturas elevadas em parte da região;
  • Norte: chuva abaixo da média em áreas importantes e maior calor;
  • Nordeste: tendência de chuva abaixo da média em determinadas áreas e temperaturas elevadas.

Essas tendências não substituem a previsão meteorológica para cada cidade. Para quem precisa tomar decisões relacionadas a viagens, agricultura, obras ou atividades ao ar livre, o acompanhamento das previsões de curto prazo continua sendo necessário.

Quando termina a primavera de 2026?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A primavera termina oficialmente em 21 de dezembro de 2026, às 18h50, quando começa o verão no Hemisfério Sul, segundo o Inmet.

Até lá, o padrão climático deve continuar mudando gradualmente. O avanço da estação tende a aumentar a ocorrência de chuva em áreas do Centro-Oeste e Sudeste, enquanto o calor ganha intensidade.

O comportamento do El Niño será um dos fatores a serem acompanhados pelos meteorologistas durante esse período, especialmente porque as projeções atuais apontam para um evento de grande intensidade.

Conclusão

A primavera de 2026 começa com um cenário de contrastes no Brasil. A influência do El Niño deve contribuir para mudanças importantes no regime de chuvas e nas temperaturas, com áreas mais chuvosas no Sul e partes do Sudeste, enquanto regiões do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem enfrentar períodos de calor e menor precipitação. Além das temperaturas mais altas, a estação também exige atenção para a ocorrência de temporais, principalmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade. Para a agricultura, a distribuição das chuvas será determinante para o plantio e o desenvolvimento das culturas de verão.

Com as condições climáticas podendo mudar rapidamente, o acompanhamento das previsões atualizadas e dos alertas meteorológicos será fundamental ao longo dos próximos meses.

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