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Privatização da Eletrobras: quais as possíveis perdas e ganhos para investidores?

A privatização da Eletrobras se tornou o centro das atenções no mercado, por ser um dos processos mais aguardados dos últimos anos.

Gessylene BrasilPor Gessylene Brasil5 min de leitura
Lupa evidenciando logo da Eletrobras em página da web

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Nos últimos dias, a privatização da Eletrobras (ELET3) foi confirmada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e se tornou o centro das atenções dos investidores, por se tratar de uma das privatizações mais aguardadas dos últimos anos. Com isso, o mercado está atento ao lançamento das ações na bolsa de valores do Brasil, no dia 13/06.

A privatização da Eletrobras é semelhante, de certa forma, à que ocorreu com a Vale (2002) e a abertura do capital da Petrobras (2000). Com o lançamento de parte das ações do Governo Federal, junto de um Fundo Mútuo de Privatização (FMP), em que qualquer pessoa pode utilizar o FGTS na aquisição da parcela acionária da União, os investidores visam obter grandes ganhos, o que já aconteceu no passado.

O que dizem os especialistas

Segundo a XP Investimentos, o investidor que colocou 50% dos seus recursos do FGTS em um FMP simulado na Vale, uma das empresas citadas acima, obteve retorno de 2.235,13%. Já o investidor que colocou 50% dos seus recursos no fundo simulado da Petrobras, outra opção oferecida ao mercado recentemente, obteve retorno de 649,36% no mesmo período.

“Eu sempre digo que o FGTS rende pouco, porém, é super seguro e quando falamos de qualquer investimento em renda variável temos a possibilidade de rentabilidade muito maior, mas possibilidade de perda de capital”, comenta Daniel Abrahão, especialista no mercado financeiro e assessor de investimentos na iHUB Investimentos.

O especialista ressalta que novos FMP’s que venham a comprar ações de empresas que passarão por processos similares não terão necessariamente o mesmo comportamento e desempenho (retorno).

Como se trata de um investimento no mercado de ações (renda variável), é recomendado apenas para uma parcela de investimentos mais arriscados e que preferencialmente visam o longo prazo. Além disso, sempre é importante relembrar que a rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Como deve se comportar o investidor que já possui ações na carteira?

Nesta segunda-feira (13/06), ocorre o lançamento de parte das ações do Governo Federal na bolsa de valores de São Paulo. A oferta primária será, inicialmente, de 627.675.340 novas ações. Já a oferta secundária será de 69.801.516, atualmente detidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

O investidor que já possui ações da Eletrobras na carteira, deve ficar atento à volatilidade que pode ocorrer nas próximas semanas a partir do lançamento das novas ofertas de ações. Precificada a R$42, como definido na última quinta-feira (09/06), a desejada estabilidade no preço pode não vir neste primeiro momento.

Decisões que envolvem investimentos em renda variável nunca são uma receita de bolo, e envolvem muitos motivos de exposição, como a proporcionalidade em relação à carteira como um todo e a parcela de capital em ações, além dos objetivos do investidor. A análise requer, logo no princípio, o entendimento da individualidade desses pontos para cada investidor.

“É importante salientar o famoso ditado do mercado financeiro ‘sobe no boato e cai no fato’ ou seja, a informação da privatização não é novidade para o mercado, ainda mais da Eletrobras que vem se desenrolando a mais de dois anos, dito isso, muito da privatização da Eletrobras está no atual preço, e teremos volatilidade acima do normal no papel nos próximos meses”, explica Abrahão.

Vale a pena comprar as “novas” ações da Eletrobras?

Tido como um consenso no mercado financeiro, as perspectivas para a Eletrobras são favoráveis com a saída do governo como controlador e acionista majoritário, mas isso não significa ser um investimento livre de riscos ou a melhor opção da bolsa no momento.

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A expectativa de ganho de eficiência, estrutura mais flexível e a possibilidade de investimentos mais assertivos explicam a alta demanda vista nos primeiros dias do período de reserva. A empresa pode, inclusive, alcançar o teto de arrecadação estipulado no plano de privatização, cerca de R$35 bilhões.

Portanto, o especialista da iHUB Investimentos destaca o fato de se tratar de um investimento no mercado de ações – renda variável -, que é recomendado para uma parcela de investimentos mais arriscados e que visam o longo prazo, pois, é muito difícil prever ou antecipar uma rápida alta no preço do ativo.

“Pode ser uma oportunidade, porque a expectativa do mercado é pela valorização da empresa, porém, para quem não possui um perfil compatível com renda variável, abrir mão do perfil de investidor é perigoso, pois está indo contra a necessidade e o que tolera risco. Não suportar a volatilidade de ativos de renda variável no decorrer dos anos, pode inclusive atrapalhar a saúde emocional do investidor”, finaliza Daniel Abrahão.

Sobre iHUB Investimentos

A iHUB Investimentos é uma empresa especializada em assessoria de investimentos credenciada pela XP Investimentos. Possui mais de 3,5 mil clientes, somando mais de R$1 bilhão em valores investidos sob custódia.

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Imagem: Pavel Kapysh / Shutterstock.com

Gessylene Brasil

Autor

Gessylene Brasil

Gessylene Brasil é graduada em Letras - Português na Universidade Federal Fluminense. Apaixonada por assuntos envolvendo economia e finanças, assim como também se interessa pelo universo da comunicação. Atua como revisora de texto no Seu Crédito Digital.

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