O governo federal anunciou, nesta terça-feira (26), durante reunião ministerial, um novo e ambicioso braço do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV): o programa Melhoria Habitacional, voltado à reforma de moradias já existentes. Com previsão de investimento de R$ 30 bilhões até 2026, a iniciativa deve beneficiar milhares de famílias em situação de vulnerabilidade que já possuem residência própria, mas vivem em condições precárias.
Minha Casa, Minha Vida: governo prevê R$ 30 bilhões para reforma de casas populares
Governo anuncia R$ 30 bilhões até 2026 para reformas em casas populares. Programa Melhoria Habitacional será parte do MCMV.
A informação foi confirmada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, que também apresentou dados atualizados sobre as metas habitacionais da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e detalhou mudanças no crédito imobiliário com recursos da poupança.
Leia mais:
Casa própria: entenda a nova fase do Minha Casa Minha Vida

Melhoria Habitacional: foco na qualidade de vida
Um novo eixo do Minha Casa, Minha Vida
O programa Melhoria Habitacional nasce como parte do reposicionamento do Minha Casa, Minha Vida, retomado pelo governo Lula com prioridade social. Ao lado da construção de novas unidades habitacionais, o objetivo agora é atacar o déficit qualitativo da habitação, ou seja, reformar casas existentes com problemas de estrutura, saneamento, telhado, acessibilidade e salubridade.
“Já aprovado pelo presidente, será lançado nas próximas semanas o Melhoria Habitacional do Minha Casa, Minha Vida, com investimento previsto de R$ 30 bilhões até 2026”, declarou Rui Costa durante o encontro.
O que poderá ser reformado?
O programa permitirá que as famílias façam melhorias essenciais, como:
- Troca de telhados e pisos;
- Construção ou adaptação de banheiros;
- Adequações para acessibilidade;
- Intervenções estruturais;
- Ligação de redes de água e esgoto;
- Regularização de instalações elétricas e hidráulicas.
A prioridade será para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico, com foco especial em domicílios chefiados por mulheres, pessoas com deficiência e idosos.
Como será o acesso ao programa?
Cadastro e seleção
A expectativa é que o governo utilize a base de dados do CadÚnico e parcerias com estados e municípios para identificar as famílias aptas a receberem os recursos. O processo de seleção será coordenado pelo Ministério das Cidades, que também ficará responsável pela fiscalização da execução das obras.
O modelo pode incluir cartões de reforma, liberação direta de insumos ou contratação de empresas para realizar o serviço. Os detalhes serão divulgados com o lançamento oficial, previsto para as próximas semanas.
Regras e limites
Espera-se que haja um teto por residência, que pode variar de R$ 10 mil a R$ 25 mil, dependendo da necessidade da intervenção e do perfil da família. As obras devem respeitar critérios técnicos e serão acompanhadas por engenheiros e assistentes sociais.
Avanço na meta habitacional: 3 milhões até 2026
Balanço da gestão Lula
O ministro Rui Costa também apresentou números atualizados sobre o desempenho do Minha Casa, Minha Vida desde o início do atual governo:
- 1,7 milhão de moradias já foram contratadas;
- 1,38 milhão foram entregues até o momento;
- A meta é atingir 3 milhões de moradias contratadas até o final de 2026.
Segundo Costa, o ritmo das contratações vem se acelerando nos últimos trimestres, com destaque para as faixas 1 e 2, destinadas a famílias com renda de até R$ 4.400 mensais.
Expansão para áreas urbanas e rurais
O programa contempla áreas urbanas e rurais, com adaptações específicas para cada realidade. No campo, as ações são feitas em parceria com o Incra e cooperativas da agricultura familiar. Nas cidades, o foco tem sido retomada de obras paralisadas e novos empreendimentos com infraestrutura completa.
Crédito habitacional: expectativa de R$ 150 bilhões em novos financiamentos

Novas regras para uso da poupança
Além do investimento direto em reformas, o governo pretende estimular o crédito habitacional com recursos da poupança. De acordo com Rui Costa, o objetivo é elevar o volume financiado para R$ 150 bilhões até o fim de 2026.
Para isso, o governo estuda alterar o percentual de direcionamento obrigatório da poupança para crédito imobiliário:
- Atualmente, os bancos devem aplicar 65% dos recursos captados via caderneta de poupança em financiamento habitacional;
- A proposta é ampliar esse percentual gradualmente até atingir 100%.
Bônus regulatório para estimular os bancos
Em contrapartida, será criado um sistema de “bônus regulatório”, no qual os bancos que cumprirem as metas de aplicação em crédito habitacional poderão usar o mesmo valor de forma livre por até cinco anos. Isso incentiva as instituições financeiras a manterem a rentabilidade ao mesmo tempo em que aumentam a oferta de crédito.
Essa engenharia financeira visa compensar o impacto da redução de depósitos na poupança, provocada pela alta de juros e pela migração de investidores para produtos mais rentáveis, como CDBs e Tesouro Direto.
Panorama do setor: desafios e expectativas
Déficit habitacional no Brasil
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Segundo dados da Fundação João Pinheiro, o Brasil tem um déficit habitacional estimado em 5,8 milhões de moradias. Desse total:
- 2,4 milhões são por coabitação (famílias dividindo o mesmo domicílio);
- 1,8 milhão são habitações precárias;
- 1,3 milhão são domicílios improvisados ou irregulares.
Com a nova vertente do programa, o governo tenta atacar tanto o déficit quantitativo (falta de moradias) quanto o déficit qualitativo (condições ruins de habitação).
Reações do setor da construção
Empresários e entidades do setor da construção civil, como a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), receberam com entusiasmo a notícia. Estima-se que o programa de reformas possa gerar mais de 500 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dois anos, com impacto positivo nas pequenas construtoras e comércio de materiais de construção.
Comparativo internacional
Modelos semelhantes em outros países
O modelo brasileiro de subsídio para melhorias habitacionais tem paralelo com programas já testados em outros países:
- México: o programa “Mejoravit” oferece crédito subsidiado para reformas em moradias populares;
- Chile: o “Subsidio de Mejoramiento de Vivienda” ajuda famílias a adaptar suas casas às normas sanitárias e de segurança;
- Índia: o “Pradhan Mantri Awas Yojana” inclui reformas e novas construções para famílias de baixa renda.
Esses programas mostraram que pequenas intervenções estruturais melhoram significativamente a qualidade de vida, reduzem riscos sanitários e aumentam a valorização dos imóveis.
Próximos passos e cronograma

Lançamento oficial em setembro
Segundo o ministro Rui Costa, o lançamento oficial do Melhoria Habitacional ocorrerá nas primeiras semanas de setembro de 2025, com participação direta do presidente Lula. A cerimônia deve ocorrer em um conjunto habitacional em São Paulo ou no Nordeste.
Na ocasião, o governo deve apresentar:
- Detalhes operacionais do programa;
- Critérios técnicos para elegibilidade;
- Convênios com estados e municípios;
- Plataforma de acompanhamento de obras.
Campanha nacional de divulgação
Está prevista uma campanha institucional para orientar as famílias sobre como acessar o benefício, além de ações integradas com prefeituras e associações comunitárias para mapear residências prioritárias.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
