Em 2025, Santa Catarina registrou 47,7 novos MEIs por mil habitantes — o maior índice entre todos os estados brasileiros. O Sul como um todo liderou com 38,5 MEIs por mil, contra 18,7 no Nordeste e 18,4 no Norte.
Santa Catarina abre mais MEI por habitante que qualquer outro estado — e os dados revelam por que isso importa
SC registrou 47,7 novos MEIs por mil habitantes em 2025 — o maior índice do Brasil. Mas o que diferencia o empreendedorismo catarinense?
Mas o número por si só não conta a história mais importante. O que diferencia o empreendedorismo catarinense não é apenas o volume — é o contexto em que ele acontece. E esse contexto muda tudo sobre o que o MEI significa para quem abre um.
Os dados são do cruzamento das bases de CNPJ e Simples Nacional (Receita Federal, via Base dos Dados, abril de 2026) com RAIS (2023), Bolsa Família (CGU, janeiro de 2026) e os indicadores do Score de Cidades.
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O número que conta a história
Em Santa Catarina, para cada MEI aberto em 2025, havia 1,96 empresa do Simples Nacional ativa — ou seja, quase duas empresas “maiores” para cada microempreendedor individual. No Nordeste, essa relação se inverte: 1,30 MEI para cada Simples. No Maranhão, chega a 1,73 MEI por Simples.
Esse ratio — MEI dividido por Simples — é o termômetro que separa dois tipos completamente diferentes de empreendedorismo:
Empreendedorismo de oportunidade (SC, Sul): o MEI é complemento de uma economia formal robusta. Quem abre um MEI em Palhoça ou Navegantes geralmente já tem emprego ou mercado — está formalizando uma atividade adicional, prestando serviço para empresas, aproveitando um nicho de consumo aquecido.
Empreendedorismo de necessidade (Nordeste, Norte): o MEI substitui o emprego que não existe. Em cidades onde menos de 10% da população tem carteira assinada e 15-20% depende do Bolsa Família, abrir MEI é a forma encontrada de ter alguma renda registrada — não porque o mercado demandou, mas porque não havia outra saída.
Palhoça, Araquari, Navegantes: as três cidades do topo
As três cidades catarinenses com mais MEIs por habitante em 2025 revelam perfis distintos, mas com um denominador comum: economia formal forte e baixa dependência de assistência social.
Palhoça (SC) — 83,9 MEIs por mil habitantes
Com 222 mil habitantes na Grande Florianópolis, Palhoça registrou quase 84 novos MEIs para cada grupo de mil moradores em 2025 — o segundo maior índice entre cidades acima de 50 mil habitantes no Brasil inteiro. A economia é dominada por serviços (78%), o saldo de empregos formais foi positivo em +3.184 no ano, e apenas 3,4% da população recebe Bolsa Família. O MEI em Palhoça acompanha o crescimento — não tapa um buraco.
Araquari (SC) — 79,1 MEIs por mil habitantes
Menor e mais industrial (55% do PIB vem da indústria), Araquari tem 44,5% da população com emprego formal registrado — um dos maiores índices de formalização entre cidades do mesmo porte no Brasil. Aqui o MEI convive com a indústria, não compete com ela: prestadores de serviço, fornecedores, profissionais autônomos que atendem o polo industrial local.
Navegantes (SC) — 77,1 MEIs por mil habitantes
Cidade portuária e turística, Navegantes tem o Porto de Navegantes como âncora econômica. Com 32% de formalização e saldo +875 empregos em 2025, o MEI surge no entorno do porto e do turismo — logística de última milha, serviços sazonais, prestadores do setor portuário que preferem operar como pessoa jurídica.
O contraste que os números revelam
Enquanto essas três cidades catarinenses combinam alto MEI com baixo Bolsa Família (3,4% a 4,6% da população) e salários ajustados pelo custo de vida entre R$ 3.887 e R$ 5.108, as cidades nordestinas que também aparecem no topo de MEI por habitante contam uma história diferente.
Caculé (BA) lidera o ranking nacional com 86 MEIs por mil habitantes — mais até que Palhoça. Mas lá, 9,5% da população está no Bolsa Família, apenas 18% tem emprego formal e o salário médio é de R$ 2.007. O MEI em Caculé e em Palhoça são juridicamente o mesmo documento, mas economicamente são fenômenos completamente diferentes.
Brumado (BA): 46 MEIs/1k, 8,3% no BF, 22% formal, salário R$ 2.467. Parnamirim (RN): 37 MEIs/1k, 8,5% no BF, 20% formal, salário R$ 2.193.
Em todas essas cidades nordestinas, o MEI cresce porque o emprego formal não cresce. Em SC, os dois crescem juntos.
O que separa os dois tipos de MEI
A diferença não está no empreendedor — está no ecossistema:
Em SC: alta formalização (média 29,5% da população com emprego formal), BF baixo (2,9% da população), salário ajustado médio de R$ 5.088, fibra óptica acima de 80% nas principais cidades, score de investidor entre 66 e 84. O MEI entra num mercado que já funciona.
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No Nordeste: formalização de 10,9%, BF de 19,5% da população, salário ajustado médio de R$ 3.589, conectividade limitada. O MEI tenta criar mercado onde ele é escasso.
Isso importa para política pública porque o MEI recebe o mesmo tratamento em ambos os casos — mesma alíquota, mesmo enquadramento, mesmo teto de faturamento. Mas os resultados são radicalmente diferentes dependendo do contexto econômico em que o microempreendedor está inserido.
As capitais do Sul
Entre as capitais, Florianópolis lidera o Sul com 62,5 MEIs por mil habitantes e o menor ratio MEI/Simples entre as três — apenas 0,53. Ou seja, em Florianópolis, para cada dois MEIs há quatro empresas do Simples. A economia formal é tão densa (59,3% de formalização, maior entre todas as capitais) que o MEI é genuinamente complementar.
Curitiba segue com 53,6 MEIs/1k e ratio 0,60 — padrão semelhante. Porto Alegre tem o menor MEI por habitante das três capitais (40,6) mas também o menor ratio (0,42) — a economia gaúcha, mais industrial e formalizada historicamente, tem proporcionalmente mais Simples que MEI.
SC com 3,6% da população, 5,9% dos MEIs
Santa Catarina representa 3,6% da população brasileira mas registrou 5,9% de todos os novos MEIs do país em 2025 — 347.984 aberturas. O Sul como um todo, com 14,3% da população, respondeu por 18,8% dos MEIs nacionais.
Não é coincidência. É o resultado de décadas de industrialização diversificada, mercado de trabalho formal relativamente robusto, conectividade digital acima da média e custo de vida que ainda permite margem para consumir serviços — o que alimenta o mercado dos MEIs locais.
O que o número não diz
Abrir mais MEI não é necessariamente melhor. O que os dados de SC mostram é que o empreendedorismo ali tem mais chances de prosperar — porque há mercado, há crédito, há consumidores com renda formal para contratar serviços. No Nordeste e Norte, o MEI pode ser a ferramenta certa para pessoas que precisam de formalização, mas sem a infraestrutura econômica que sustente o crescimento, muitos desses negócios não sobreviverão aos primeiros anos.
O Brasil abriu 5,8 milhões de MEIs em 2025. A pergunta que os dados levantam não é quantos foram abertos — é em quantos deles havia um mercado esperando do outro lado.
Metodologia
Dados de MEI e Simples Nacional extraídos das bases da Receita Federal (CNPJ e Simples) disponibilizadas pela Base dos Dados, referência abril de 2026. Dados de emprego formal da RAIS 2023 (Ministério do Trabalho, via Base dos Dados). Bolsa Família: CGU, janeiro de 2026. Poder de compra e score de investidor: Score Cidades (índice interno, 100 = média nacional). O campo mei_novos_2025 contabiliza CNPJs com data de opção pelo MEI a partir de 01/01/2025 — registros ativos na data de extração. Municípios com população inferior a 5.000 habitantes foram excluídos das análises por cidade.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:

