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STF: Dino dá 10 dias para governo explicar R$ 8,5 bi em emendas paralelas

Flávio Dino, do STF, dá 10 dias para governo, Congresso e partidos explicarem R$ 8,5 bilhões em emendas paralelas no Orçamento de 2025.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Flávio Dino bancos

Um novo capítulo da disputa em torno da transparência no uso de verbas públicas se abriu no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino determinou que representantes do Executivo, do Legislativo e de partidos políticos esclareçam, em até dez dias úteis, o destino de bilhões em recursos orçamentários que, segundo denúncias, estariam sendo manejados por meio de emendas de comissão “camufladas”.

Contexto da ADPF 854

Flávio Dino, Ministro da Justiça, discursando de terno e gravata. stf
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

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O que é a ADPF 854?

A ADPF 854 é uma ação constitucional que questiona os limites da atuação do Legislativo no manejo de emendas parlamentares e busca garantir a observância dos princípios de transparência, publicidade e rastreabilidade no uso de recursos públicos.

Apresentada pelas organizações Transparência Brasil, Transparência Internacional – Brasil e Contas Abertas, a ação denuncia a existência de uma prática orçamentária paralela, à margem das regras legais estabelecidas.

Quais são as suspeitas?

As entidades alegam que parlamentares têm utilizado emendas de comissão disfarçadas, evitando o uso do código identificador RP 8, obrigatório para esse tipo de emenda. No lugar, são utilizados os códigos RP 2 e RP 3, que classificam as verbas como “despesas discricionárias” do Executivo ou investimentos vinculados ao Novo PAC.

Como funcionam as emendas?

O que representa a sigla RP?

A sigla RP significa “Resultado Primário”, e os números que a acompanham identificam a natureza da despesa.

RP 2: despesas com flexibilidade de execução

Isso inclui investimentos, custeio e outras despesas que não fazem parte das obrigações legais do governo, como pagamento de pessoal ou benefícios previdenciários. Esses recursos podem ser realocados conforme decisões do Executivo, o que permite maior autonomia, mas também exige transparência e controle institucional.

RP 3: foco em investimentos do Novo PAC

Ainda que também sejam discricionários, esses valores possuem uma finalidade mais orientada, geralmente voltada para obras de infraestrutura, mobilidade urbana, saneamento e outros projetos estruturantes. Apesar da destinação temática, ainda há margem de decisão política sobre onde e como aplicar o dinheiro.

Órgãos que concentram os recursos

Principais alvos dos repasses

Entre os órgãos que concentram os maiores valores dessas emendas paralelas estão:

  • DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes)
  • Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba)
  • DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas)

Essas instituições já foram citadas anteriormente em reportagens e investigações relacionadas a práticas orçamentárias questionáveis,

Indícios de nova prática irregular no Ministério da Saúde: R$ 3 bilhões sob influência política

Uma apuração divulgada em maio de 2025 pelo portal UOL apontou que deputados e senadores teriam recebido aval para sugerir, de forma direta, como aplicar cerca de R$ 3 bilhões do orçamento da pasta. A denúncia indica ausência de critérios técnicos e transparência, levantando suspeitas sobre possível uso político dos recursos públicos sem o devido acompanhamento institucional.

Posicionamento do ministro Flávio Dino

Envolvidos devem se manifestar em 10 dias úteis

Na decisão, o ministro Flávio Dino reconheceu que há dúvidas substanciais sobre a natureza das emendas classificadas como RP 2 e RP 3. Embora tecnicamente essas categorias não sejam o foco principal da ADPF, o ministro afirma que é necessário investigar se há violação dos princípios constitucionais no processo orçamentário.

Diante disso, Dino determinou prazo de 10 dias úteis para que:

  • Governo federal
  • Congresso Nacional
  • Partidos políticos
  • Ministério da Saúde
  • Demais envolvidos

Transparência em xeque

Princípios constitucionais ameaçados

A movimentação orçamentária paralela fere, segundo os autores da ADPF, os princípios da administração pública consagrados no artigo 37 da Constituição Federal:

  • Legalidade
  • Impessoalidade
  • Moralidade
  • Publicidade
  • Eficiência

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Falta de rastreabilidade

O uso de classificações genéricas como RP 2 e RP 3 dificulta a rastreabilidade dos recursos, prejudica a fiscalização por órgãos de controle e enfraquece a confiança pública na aplicação do dinheiro arrecadado com tributos.

Repercussão política e institucional

STF FGTS
Imagem: Fellip Agner/ Shutterstock.com

Congresso e Executivo em silêncio

Até o momento, não houve manifestação oficial por parte dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nem tampouco do Ministério da Saúde ou do Palácio do Planalto. Nos bastidores, há temor de que a ação do STF reabra o debate sobre a constitucionalidade das emendas parlamentares, tema sensível ao Legislativo.

FAQ – Perguntas frequentes

O que são emendas de comissão?

São indicações de despesas feitas por comissões permanentes do Congresso Nacional, como parte do processo de elaboração da Lei Orçamentária Anual.

O que é o orçamento secreto?

Foi um mecanismo utilizado entre 2020 e 2022 que permitia a distribuição de verbas por indicação política, sem critérios objetivos ou transparência. Foi declarado inconstitucional pelo STF.

Qual o papel do STF nessa questão?

O STF, por meio da ADPF 854, analisa se a prática atual de alocação de recursos por emendas parlamentares fere princípios constitucionais, como a transparência e o controle público.

Quais são os próximos passos?

Governo, Congresso e demais envolvidos devem responder em até 10 dias úteis. O STF avaliará os esclarecimentos e poderá decidir pela ampliação da investigação ou adoção de medidas corretivas.

Considerações finais

A determinação do ministro Flávio Dino marca um novo capítulo na disputa entre os poderes em torno do orçamento federal. A possível existência de um novo modelo de “orçamento secreto” levanta preocupações sobre a legalidade das práticas parlamentares e pode ter desdobramentos relevantes tanto no campo jurídico quanto no político.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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