O SUS deu um passo importante rumo à inovação na saúde pública ao autorizar, em 31 de maio de 2025, o uso da placenta como curativo biológico no tratamento de queimaduras. A técnica utiliza a membrana amniótica, um tecido extraído da placenta, capaz de acelerar a cicatrização e reduzir dores e infecções.
Tecnologia inovadora: SUS autoriza uso de placenta para tratar queimaduras
SUS aprova uso da placenta como curativo para queimaduras. Saiba aqui como Técnica reduz dor, infecção e acelera a cicatrização nos pacientes!
Após décadas restrita a pesquisas acadêmicas, essa tecnologia finalmente chega aos hospitais públicos brasileiros. O Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, reconheceu os benefícios do método, que já é uma realidade em países como Estados Unidos e Austrália.

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Novo tratamento do SUS: O que é a membrana amniótica?
Definição e função natural
A membrana amniótica é uma camada fina, resistente e flexível da placenta, responsável por proteger o feto durante toda a gestação. Ela possui propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes, fundamentais para sua aplicação médica.
Por que ela é eficaz no tratamento de queimaduras?
Por ser biocompatível, a membrana se adapta facilmente ao corpo humano. Ela atua como uma barreira física contra bactérias, acelera a regeneração dos tecidos e mantém a umidade da ferida, fatores essenciais para uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.
Funcionamento do curativo biológico com placenta
Etapas do processo
- Coleta: Feita logo após o parto, com consentimento da mãe.
- Higienização: O tecido passa por rigorosos exames para garantir ausência de vírus como HIV e hepatite.
- Armazenamento: A membrana é acondicionada em bancos de tecidos, em ambientes refrigerados e esterilizados.
- Aplicação: É posicionada sobre a queimadura, aderindo ao local sem necessidade de pontos ou curativos adicionais.
Vantagens do curativo
- Reduz risco de infecções.
- Diminui a dor ao cobrir terminações nervosas.
- Acelera a formação de tecido cicatricial saudável.
- Pode permanecer no corpo por até 14 dias, sem necessidade de troca.
Benefícios comprovados para pacientes queimados
Alívio da dor e maior conforto
O material biológico protege terminações nervosas expostas, reduzindo significativamente o desconforto dos pacientes. Isso representa uma vantagem em relação aos curativos convencionais, que muitas vezes exigem trocas frequentes e dolorosas.
Redução de complicações
Ao funcionar como uma barreira natural contra microrganismos, a membrana diminui drasticamente a incidência de infecções, uma das principais causas de agravamento em casos de queimaduras.
Cicatrização mais rápida
As propriedades regenerativas da membrana estimulam a produção de colágeno e a reorganização celular, favorecendo a cicatrização com menos riscos de sequelas e formação de queloides.
Processo de coleta e armazenamento da placenta
Como funciona a doação?
- Realizada após partos naturais ou cesarianas.
- A mãe é previamente informada e deve assinar um termo de consentimento.
- O processo é não invasivo e não oferece riscos nem à mãe nem ao bebê.
Armazenamento seguro
Após a coleta, a membrana passa por processos de:
- Limpeza rigorosa.
- Testagem para doenças infecciosas.
- Acondicionamento em embalagens esterilizadas.
Ela fica armazenada em temperaturas controladas nos bancos de tecidos, podendo ser utilizada quando houver necessidade nos hospitais habilitados.
Histórico da técnica no mundo e no Brasil
Uso internacional consolidado
Nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, o uso da membrana amniótica no tratamento de queimaduras é prática comum há mais de 50 anos, comprovando sua eficácia e segurança.
Pesquisas no Brasil
No Brasil, instituições como o Hospital das Clínicas de São Paulo e a Universidade Federal do Ceará vêm testando a técnica desde a década de 2010. Estudos demonstraram que o curativo biológico não só acelera a cicatrização, como também melhora a qualidade da pele regenerada.
Aprovação pelo SUS
A decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (Conitec) permite que o tratamento, antes restrito a estudos, passe a ser oferecido de forma regular no SUS, beneficiando milhares de pacientes em todo o país.
Ampliação dos bancos de tecidos no Brasil
Cenário atual
Atualmente, o Brasil conta com poucos bancos de tecidos especializados na preservação da membrana amniótica. A aprovação pelo SUS demanda uma ampliação considerável dessa rede.
Metas do Ministério da Saúde
- Quadruplicar os estoques disponíveis.
- Habilitar novas maternidades e hospitais para coleta e armazenamento.
- Implementar padrões rígidos de controle de qualidade.
Desafios da regulamentação
O que falta para começar?
Apesar da aprovação, o uso generalizado do curativo depende da regulamentação final do Ministério da Saúde, prevista para o primeiro semestre de 2026.
Pontos que serão definidos:
- Critérios de seleção dos pacientes.
- Requisitos para hospitais aplicarem a técnica.
- Normas de transporte, armazenamento e descarte do material.
Expectativa do governo
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+311 mil seguidores
O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, afirmou que o governo trabalha para expandir rapidamente a infraestrutura necessária, visando oferecer o tratamento nas principais unidades de queimados do país.
Aplicação da técnica nos hospitais
Quem pode se beneficiar?
O curativo é indicado, inicialmente, para:
- Queimaduras de segundo grau.
- Lesões em áreas de difícil cicatrização.
- Pacientes com contraindicação a enxertos tradicionais.
Vantagens clínicas observadas
- Melhor aderência em regiões como rosto, mãos e articulações.
- Redução de complicações em até 60% dos casos.
- Menor tempo de internação hospitalar.
Relatos de pacientes
Leonardo da Silva, de 42 anos, foi um dos primeiros pacientes a receber o tratamento experimental no Hospital das Clínicas após sofrer uma descarga elétrica. Segundo ele, houve melhora visível na cicatrização e alívio da dor logo na primeira semana.
Importância da conscientização sobre a doação
O potencial da doação no Brasil
Com cerca de 3 milhões de partos anuais, o Brasil tem capacidade para formar um banco robusto de membranas amnióticas. No entanto, isso depende de campanhas de esclarecimento e incentivo à doação.
Garantias de segurança
- O processo é 100% seguro, sem riscos para mãe e bebê.
- A doação ocorre apenas com o consentimento formal da gestante.
- Hospitais e maternidades serão responsáveis por orientar e conduzir o procedimento.
Avanços no tratamento de queimaduras no SUS
Um marco na saúde pública
O uso da membrana amniótica representa um avanço significativo para o SUS, que atende anualmente mais de 150 mil casos de queimaduras no Brasil.
Queimaduras são a quarta maior causa de internações por trauma, gerando custos elevados ao sistema público e sequelas permanentes aos pacientes. A adoção dessa tecnologia reduz complicações, tempo de internação e melhora o prognóstico clínico.
Integração com outras tecnologias
O Brasil já se destacou internacionalmente pelo uso de alternativas inovadoras, como a pele de tilápia no tratamento de queimaduras. Agora, com a inclusão da placenta como curativo, o país fortalece seu compromisso com soluções acessíveis e eficientes na medicina regenerativa.

A aprovação do uso da membrana amniótica no tratamento de queimaduras pelo SUS é um divisor de águas na medicina pública brasileira. Essa tecnologia oferece benefícios incontestáveis, como redução da dor, menor risco de infecções e cicatrização acelerada.
Ainda que dependa da regulamentação final do Ministério da Saúde, prevista para 2026, a expectativa é que o curativo biológico transforme a realidade de milhares de pacientes, democratizando o acesso a um tratamento antes restrito a centros de pesquisa.
A ampliação dos bancos de tecidos, a conscientização sobre a importância da doação e a capacitação das equipes de saúde serão fundamentais para que essa inovação alcance todo o país, salvando vidas e devolvendo qualidade de vida a quem mais precisa.
