Na segunda-feira (11), começou no Brasil a abertura dos chamados “arranjos de pagamento” que envolvem os sistemas de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA). A mudança marca uma das maiores transformações já feitas no Programa de Alimentação do Trabalhador, com impacto direto para mais de 22 milhões de trabalhadores em todo o país.
Vale-refeição e alimentação: entenda mudança na aceitação dos cartões
VA e VR entram em nova fase no Brasil com abertura de arranjos e interoperabilidade. Veja o que muda para trabalhadores e empresas.
O objetivo da medida é permitir que, até novembro, qualquer cartão de benefício alimentar possa ser aceito em qualquer maquininha de pagamento, independentemente da bandeira ou operadora.
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O que é o arranjo de pagamento no VA e VR
O arranjo de pagamento é a estrutura que define como o dinheiro circula entre empresa, operadora do benefício, estabelecimento comercial e trabalhador.
No modelo atual, o sistema é fechado, ou seja, cada empresa controla toda a cadeia: emissão do cartão, credenciamento de restaurantes e supermercados e processamento das transações.
Na prática, isso limita onde o trabalhador pode usar o benefício, já que ele fica restrito à rede de estabelecimentos vinculada à operadora do cartão.
Como funciona o modelo atual (arranjo fechado)
Hoje, o sistema de vale-alimentação e vale-refeição funciona de forma centralizada.
Isso significa que:
- uma única empresa emite o cartão;
- a mesma empresa define onde ele pode ser aceito;
- a rede de estabelecimentos é restrita;
- a transação depende de maquininhas credenciadas.
Esse modelo é conhecido como “arranjo fechado” e é considerado menos competitivo por especialistas do setor financeiro.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, essa estrutura limita a liberdade de escolha do trabalhador e concentra o mercado em poucas operadoras.
O que muda com a abertura dos arranjos
Com a nova regra, o sistema passa a permitir a separação das funções dentro da cadeia de pagamento.
Isso significa que diferentes empresas poderão atuar em etapas distintas, como:
- emissão do cartão;
- credenciamento de estabelecimentos;
- processamento das transações;
- liquidação financeira.
Na prática, o sistema deixa de ser fechado e passa a funcionar como uma rede aberta, com participação de mais empresas.
Exemplo prático da mudança
Hoje, um restaurante só aceita determinado cartão se estiver credenciado àquela operadora.
Com a abertura:
- o restaurante poderá aceitar vários cartões diferentes;
- a maquininha não ficará limitada a uma única bandeira;
- o trabalhador terá mais liberdade de escolha.
Interoperabilidade: o grande objetivo da mudança
A etapa final da reforma é a chamada interoperabilidade, prevista para novembro.
Esse conceito significa que qualquer cartão de VA ou VR poderá ser usado em qualquer maquininha do país.
Segundo nota do Ministério do Trabalho e Emprego, a abertura dos arranjos é essencial para permitir esse funcionamento integrado entre sistemas diferentes.
O que já mudou nas regras do setor
Algumas mudanças já estão em vigor desde fevereiro e fazem parte da nova regulamentação do programa.
Redução de taxas cobradas dos estabelecimentos
Foi estabelecido um teto de:
- até 3,6% de taxa máxima para supermercados e restaurantes;
- limite de 2% para tarifa de intercâmbio;
- proibição de cobranças adicionais.
Essa medida busca reduzir custos para comerciantes e, indiretamente, equilibrar preços ao consumidor final.
Redução no prazo de repasse
O prazo para que os estabelecimentos recebam os valores caiu de 30 para 15 dias.
Na prática, isso melhora o fluxo de caixa de restaurantes e supermercados que aceitam VA e VR.
Uso do benefício continua restrito à alimentação
Mesmo com as mudanças, o governo manteve uma regra importante: o benefício continua sendo exclusivo para alimentação.
Isso significa que não será permitido usar o saldo para:
- academias;
- farmácias;
- planos de saúde;
- cursos ou outros serviços.
A restrição faz parte da lógica original do Programa de Alimentação do Trabalhador, criado para garantir alimentação adequada ao trabalhador formal.
Impactos esperados para trabalhadores e empresas
Especialistas do setor apontam três impactos principais da mudança.
1. Mais liberdade para o trabalhador
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Com a interoperabilidade, o trabalhador poderá usar o benefício em mais estabelecimentos, inclusive fora das grandes redes.
Isso deve ser especialmente relevante em cidades menores, onde a rede credenciada costuma ser mais limitada.
2. Mais concorrência no mercado
Com a abertura do sistema, diferentes empresas poderão participar da cadeia de pagamentos.
Isso tende a:
- reduzir custos operacionais;
- aumentar inovação tecnológica;
- ampliar a oferta de serviços.
3. Mudanças para empresas e restaurantes
Estabelecimentos comerciais devem ter:
- maior facilidade de aceitação de cartões;
- menos dependência de uma única operadora;
- potencial redução de taxas no longo prazo.
O que dizem especialistas do setor
Segundo executivos do mercado de benefícios, a mudança representa uma modernização importante do sistema.
O CFO da empresa Flash, Ademar Bandeira, avalia que a abertura dos arranjos permite maior autonomia ao trabalhador e reduz distorções causadas por redes fechadas.
Ele destaca ainda que, fora dos grandes centros urbanos, a mudança deve ser ainda mais perceptível, já que muitos trabalhadores enfrentam limitações de estabelecimentos credenciados.
Regras mais rígidas contra práticas abusivas
A nova regulamentação também prevê restrições importantes para operadoras:
- proibição de descontos indiretos aos estabelecimentos;
- vedação de benefícios financeiros não relacionados à alimentação;
- controle mais rígido de taxas;
- regras para evitar práticas anticompetitivas.
O objetivo é garantir um ambiente mais transparente e equilibrado entre empresas, comerciantes e trabalhadores.
Quando a mudança entra em vigor totalmente
O processo será gradual:
- já em maio: início da abertura dos arranjos;
- até novembro: avanço da interoperabilidade;
- fase final: qualquer cartão funcionando em qualquer maquininha.
A transição foi planejada para evitar impactos abruptos no mercado e permitir adaptação das empresas.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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