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Cuidotecas nos IFs: o suporte invisível que gera autonomia feminina

Descubra aqui como as Cuidotecas nos IFs estão mudando vidas e promovendo autonomia feminina. Leia e saiba mais agora!1!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes5 min de leitura
PouPay independência financeira feminina

A criação das Cuidotecas nos Institutos Federais (IFs) marca um passo decisivo na transformação das políticas de cuidado no Brasil. Com aporte inicial de R$ 1,6 milhão, o Governo Federal começa a implantar 10 unidades em 7 IFs, com o objetivo de apoiar mães e responsáveis que buscam estudar, trabalhar e se qualificar, qualificando ainda mais a presença feminina no trabalho.

Esses espaços oferecem atendimento para crianças de 3 a 12 anos, em horários que muitas vezes coincidem com as atividades de ensino e capacitação. Mais que um espaço de acolhimento, as Cuidotecas surgem como um símbolo de avanço social e de construção de autonomia feminina, ao retirar das mulheres o peso exclusivo do cuidado doméstico.

Imagem: veryulissa / Shutterstock

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O que são as Cuidotecas e como elas estão funcionando nos Institutos Federais

As Cuidotecas vão além da função tradicional de brinquedotecas. Cada espaço é pensado para ser um ambiente seguro, pedagógico e inclusivo, voltado ao desenvolvimento integral das crianças. Contam com equipes contratadas, coordenação pedagógica e um plano educativo que oferece atividades lúdicas, alimentação saudável e estímulos cognitivos e sociais.

A prioridade de atendimento é voltada a estudantes em situação de vulnerabilidade, famílias monoparentais chefiadas por mulheres e inscritos no CadÚnico. Crianças com deficiência ou sob responsabilidade de pessoas com deficiência também terão prioridade de acesso, reforçando o caráter inclusivo da política.

Público-alvo definido

Entre os grupos que terão prioridade estão:

  • Estudantes do programa Asas para o Futuro
  • Famílias monoparentais chefiadas por mulheres
  • Famílias cadastradas no CadÚnico
  • Pessoas com deficiência ou responsáveis por crianças com deficiência
  • Ingressantes por cotas étnico-raciais ou sociais

Benefícios diretos

Além de garantir a segurança das crianças, as Cuidotecas contribuem para a redução da evasão escolar, especialmente de jovens mães que enfrentam o dilema entre estudar e cuidar. Outra vantagem é a diminuição dos riscos associados ao uso excessivo de telas e ao abandono infantil em horários noturnos.

Impacto social e estatísticas

Segundo a PNAD Contínua de 2022, mais de 30% das mulheres que deixaram de buscar emprego citaram os afazeres domésticos como motivo principal. Em contrapartida, entre os homens, apenas 3% abandonaram o mercado por razões semelhantes.

O tempo investido em tarefas de cuidado mostra o tamanho da desigualdade: enquanto as mulheres dedicam 21,3 horas semanais ao cuidado doméstico, os homens dedicam apenas 11,7 horas. Esse cenário se agrava em famílias de baixa renda, entre mulheres negras e idosas, onde as jornadas de cuidado são ainda maiores.

Voz oficial

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca que as Cuidotecas não são apenas um apoio logístico, mas uma forma de resgatar direitos:

Ao garantir espaços seguros para as crianças, devolvemos às mulheres o tempo antes consumido pelo trabalho doméstico. É dever do Estado compartilhar essa responsabilidade.”

Expansão pelo país

As primeiras unidades estão em implantação em sete estados, incluindo:

  • IFES (Vila Velha/ES)
  • IFBA (Simões Filho/BA)
  • IFRN (Natal/RN)
  • IFSP (Presidente Epitácio/SP)
  • IFMT (Cuiabá/MT)
  • IFSM (Machado/MG)
  • IFTM (Uberaba e Paracatu/MG)

Essa expansão se integra a outras iniciativas, como o Programa Asas para o Futuro, voltado a jovens de 15 a 29 anos. O programa oferece bolsas de estudo, oficinas profissionalizantes e incentivo à participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e inovação.

O contexto internacional

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O Brasil não está sozinho nessa jornada. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), são dedicadas 16,4 bilhões de horas diárias ao trabalho de cuidado não remunerado em todo o mundo. Esse tempo, quando contabilizado, representa uma perda significativa para a economia e reforça as desigualdades de gênero.

Ao criar políticas públicas que dividem a responsabilidade entre Estado, famílias e sociedade, o país se aproxima de um modelo de equidade defendido por organismos internacionais.

Legislação e marco regulatório

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069/2024 e regulamentada pelo Decreto nº 12.562/2025, estabelece o cuidado como direito de cidadania. O Plano Nacional de Cuidados reúne ações interministeriais que incluem desde Lavanderias Públicas até projetos de capacitação.

Esse conjunto de medidas busca garantir que o cuidado deixe de ser invisível e passe a integrar a agenda de desenvolvimento social e econômico do Brasil.

O papel das mulheres idosas

Um dado relevante é o tempo dedicado por mulheres acima dos 60 anos ao cuidado. Segundo a PNAD Contínua, mulheres entre 60 e 69 anos dedicam em média 24 horas semanais a essas atividades. Mesmo acima dos 80 anos, permanecem cuidando intensamente, com jornadas de 17 horas semanais.

Esse retrato mostra que o trabalho de cuidado é intergeracional e precisa ser tratado como questão estrutural, e não como responsabilidade exclusiva de uma parcela da população.

mãe com bebê no colo
Imagem: blankita_ua / Pixabay

As Cuidotecas representam uma inovação silenciosa, mas com impacto profundo. Elas não apenas oferecem acolhimento infantil, mas também funcionam como uma política transformadora que reconhece o cuidado como direito de cidadania.

Ao devolver tempo às mulheres e possibilitar sua permanência nos estudos e no trabalho, o projeto ajuda a redesenhar as bases da igualdade de gênero no Brasil. Mais do que uma iniciativa pontual, as Cuidotecas se integram a um movimento global que busca redistribuir responsabilidades e construir sociedades mais justas.

O futuro das políticas de cuidado no país passa por reconhecer que cuidar é responsabilidade coletiva. E, nesse caminho, as Cuidotecas nos IFs surgem como espaços estratégicos para garantir autonomia, reduzir desigualdades e oferecer novas perspectivas de vida às mulheres brasileiras.

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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