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Novo Desenrola pode ampliar renegociação de dívidas ainda em 2026

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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O governo federal lançou uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas, batizada de Desenrola 3.0, com foco em consumidores que permanecem inadimplentes há mais tempo. A iniciativa foi anunciada em 25 de setembro de 2026 e prevê a atuação do Tesouro Nacional na compra de carteiras de dívidas junto a instituições financeiras.

A proposta chega em um momento de elevado endividamento das famílias e estabelece um mecanismo diferente das fases anteriores do Desenrola. Em vez de apenas criar condições para que consumidor e credor negociem diretamente, a União pretende adquirir determinadas carteiras de crédito com desconto e transferir parte dessa redução ao devedor.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A nova fase deverá contemplar dívidas bancárias e não bancárias que estejam em atraso entre dois anos e quatro anos e meio. O valor original de cada dívida precisa ser de até R$ 10 mil, conforme as regras anunciadas pelo governo.

O modelo prevê que o Tesouro Nacional realize leilões para comprar carteiras consideradas de difícil recuperação. Quanto maior o desconto obtido na negociação com os credores, menor tende a ser o valor necessário para quitar ou parcelar os débitos dos consumidores.

A expectativa divulgada pelo governo é trabalhar com descontos de, no mínimo, 90% sobre as carteiras adquiridas. Isso não significa, porém, que todo consumidor terá automaticamente 90% de abatimento sobre sua dívida individual. O percentual dependerá das condições do programa e das carteiras selecionadas nos leilões.

A estimativa oficial é que até 15 milhões de pessoas possam ser alcançadas pela nova etapa, enquanto aproximadamente R$ 150 bilhões em dívidas seriam considerados para aquisição. O governo calcula que cerca de R$ 75 bilhões poderão efetivamente ser renegociados, considerando a adesão de credores e consumidores.

Quem poderá participar

O público-alvo exato ainda depende da regulamentação complementar. A proposta anunciada considera dívidas com as características estabelecidas pelo programa, mas critérios adicionais de renda e de priorização poderão ser definidos pelo Ministério da Fazenda.

Isso significa que ter uma dívida antiga de até R$ 10 mil não garante, por si só, a participação. Também será necessário verificar se o débito pertence a uma carteira incluída no programa e quais serão as condições estabelecidas para a negociação.

O cronograma divulgado prevê publicação da medida provisória em setembro de 2026. A entrega de propostas pelos credores está prevista para dezembro, com homologação em janeiro de 2027 e início dos contratos e repasses em fevereiro.

E quem já renegociou dívidas?

O novo programa não deve ser confundido com o Novo Desenrola Brasil lançado anteriormente. Essa modalidade, coordenada pelo Ministério da Fazenda, atende famílias com renda de até cinco salários mínimos e permite renegociação de determinadas dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal, com condições específicas.

Por isso, quem já participou de uma renegociação precisa verificar as regras da nova etapa antes de assumir que poderá negociar novamente o mesmo débito.

Por que o governo criou uma nova etapa

A medida busca atingir uma parcela de consumidores que permanece negativada mesmo após programas anteriores de renegociação. Segundo dados apresentados pelo Tesouro Nacional, havia, em agosto de 2026, R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso. O levantamento apontava ainda 83,9 milhões de pessoas negativadas.

O desenho também amplia o alcance para dívidas não bancárias. Cerca de 55% do estoque considerado pelo governo corresponde a débitos dessa natureza, incluindo compromissos relacionados a serviços públicos, telefonia e varejo.

A experiência anterior mostra que programas de renegociação podem movimentar valores relevantes. Em maio de 2026, por exemplo, a Caixa informava mais de R$ 1,36 bilhão em renegociações realizadas dentro do Novo Desenrola, envolvendo 36,4 mil clientes.

O que muda para quem está endividado

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Para o consumidor, a principal possibilidade é transformar uma dívida antiga e de difícil negociação em um débito com condições mais acessíveis. Entretanto, é importante não considerar o desconto anunciado como dinheiro recebido ou como perdão automático de qualquer dívida.

A pessoa que for incluída deverá observar o valor final, número de parcelas, eventuais juros e condições para manutenção do acordo. Uma renegociação só produz resultado financeiro quando o consumidor consegue cumprir o novo compromisso até o fim.

Também é recomendável evitar intermediários que cobrem valores para supostamente antecipar a participação. Programas oficiais devem ser consultados pelos canais do governo e das instituições financeiras participantes.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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