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Gestor da ASA Investments diz que ‘estrago já está feito na Bolsa’

Flavio Kac avalia que impressão é de que Lula voltou para presidir o Brasil "com sangue nos olhos"; confira a opinião do especialista.

Marcos CostaPor Marcos Costa3 min de leitura
Gráfico com seta vermelha em destaque indicando declínio

O gestor da Asa Investments, Flavio Kac, avalia que as primeiras decisões do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área da economia foram uma “grande decepção”. Desse modo, em entrevista ao site Money Times, o responsável pela gestora de investimentos multiestratégia afirmou que o estrago para a Bolsa de Valores “já está feito”.

Assim como a maior parte do mercado, Kac reclama das sinalizações que o novo governo tem dado. Aparentemente, o governo Lula irá privilegiar nomes associados à política em detrimento de nomes considerados mais técnicos para ocupar cargos centrais na nova administração.

Anatomia do ‘estrago’: gestor opina

Na última terça-feira (13), Lula anunciou que o ex-ministro da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff (PT), Aloizio Mercadante, ocupará a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao atual Ministério da Economia.

Mercadante também acumula duas passagens na Educação, além de experiência na pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação. “A impressão é de que Lula veio com sangue nos olhos”, opinou Kac. Ele considera a postura de Lula “muito expansionista”, e acredita que há possibilidade do mundo das ações enfrentar, por mais tempo, taxas de juros elevadas.

Haddad na Fazenda

O gestor também comentou a escolha do ex-prefeito da cidade de São Paulo, e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT) para chefiar o Ministério da Fazenda. Ele se candidatou ao governo do Estado de São Paulo nas últimas eleições, entretanto, acabou sendo derrotado pelo ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad é formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado em economia pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP).

Integrantes do mercado esperavam que um economista de perfil liberal fosse escolhido para ocupar a pasta, e não reagiram bem a escolha de um nome cujo perfil consideram desenvolvimentista. Na avaliação de Kac, ainda que nomes “técnicos” sejam convidados a compor a Fazenda, a decisão final sobre a política econômica ainda será de Haddad.

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Nada de novo – ao menos por enquanto

Também segundo a Money Times, apesar das discordâncias, a Asa Investments permanece com posições individuais na Bolsa brasileira, incluindo Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3). A instituição avalia que as ações estão muito baratas e que as escolhas do novo governo ainda vão levar um tempo para gerar consequências.

Enfim, o próximo governo só toma posse no próximo dia 1º de janeiro. “O que o mercado está dizendo é que o Brasil vai virar uma Argentina. A gente não acredita nisso”, ponderou Flavio Kac. Para o gestor, Petrobrás e Banco do Brasil vão seguir com bons resultados. Em sua opinião, a Asa Investments prefere os papéis dessas organizações que os relacionados ao consumo brasileiro.

Imagem: Naypong Studio/shutterstock

Marcos Costa

Autor

Marcos Costa

Formado em Comunicação - Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2018. Acumula experiências como repórter, redator web e copywriter. Já trabalhou nos portais "Bahia Notícias" e "Bnews", além da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

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