A trajetória do iFood Pago representa uma evolução estratégica no panorama financeiro digital, consolidando a fintech do gigante do delivery como uma força motriz no apoio aos restaurantes parceiros, onde já mantém mais de 200 mil contas ativas e ostenta o impressionante marco de R$ 2,83 bilhões em crédito concedido. Liderada por Bruno Henriques, a plataforma inicialmente focada em soluções Business-to-Business (B2B) para o setor de food service agora anuncia um audacioso pivô, direcionando sua expertise e capacidade de crédito para o vasto mercado Business-to-Consumer (B2C), abrangendo os milhões de clientes do seu ecossistema.
Este movimento de expansão sinaliza que o iFood Pago não quer mais se limitar a ser o braço financeiro dos restaurantes, mas sim uma provedora completa de serviços para o consumidor final, com ofertas inovadoras como o Buy Now Pay Later (BNPL) e opções de parcelamento já em fase avançada de testes. Ao integrar essas soluções de pagamento em categorias como groceries e farmácias, a fintech busca transformar a experiência de compra, oferecendo conveniência e alívio financeiro, com o objetivo de gerar uma receita extraordinária de R$ 2,5 bilhões até o ano fiscal de 2026.
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A fundação no B2B: a fintech dos restaurantes
Antes de mirar o consumidor final, a iFood Pago dedicou-se a criar uma base sólida de apoio financeiro aos seus parceiros. Esta fase foi crucial para entender o fluxo de caixa, as necessidades de crédito e os desafios operacionais do setor de alimentação.
Geração de valor para os parceiros
A atuação do iFood Pago no B2B foi vital para o crescimento e a estabilidade dos restaurantes na plataforma. Oferecendo produtos financeiros que vão além da simples máquina de cartões, a fintech se tornou um parceiro estratégico.
- Conta Digital: Oferece serviços bancários e gestão de recebíveis facilitada, integrando o dinheiro das vendas diretamente ao sistema.
- Ofertas de Crédito: Fornece crédito sob medida, baseado no histórico de vendas e na saúde financeira do restaurante, com um volume pré-aprovado que já atinge R$ 8,56 bilhões para mais de 91 mil clientes elegíveis.
- Soluções Integradas: Inclui o iFood Benefícios e a Maquinona, que combina hardware de pagamento com Customer Relationship Management (CRM), otimizando a gestão do negócio.
Bruno henriques e a visão de ecossistema
O retorno de Bruno Henriques ao iFood marcou o início de uma nova fase, onde a sinergia entre o core business de delivery e a fintech é total. A visão do executivo é clara: usar a fidelidade e o volume de transações do iFood para criar produtos financeiros que tragam valor direto ao cliente.
O despertar para o mercado B2C
A incursão no B2C não foi acidental. Segundo Henriques, a fintech investiu tempo para identificar onde poderia gerar valor sem ser apenas “mais um” no mercado. A resposta veio da observação simples do comportamento do consumidor de iFood:
“A pergunta era: seríamos mais um ou geraríamos valor do outro lado da mesa?” Ele observa que o ciclo de consumo intenso, seguido pela restrição financeira no final do mês, criou uma lacuna a ser preenchida.
O buy now pay later (BNQL) como ferramenta de consumo
O BNPL, ou o crediário digital, é a primeira grande aposta de crédito B2C. O objetivo é oferecer uma solução de microcrédito imediata para que o consumidor mantenha seu padrão de consumo essencial, mesmo quando o salário está para cair.
Target e tíquete médio
Os testes do BNPL são estrategicamente focados no período do dia 15 ao dia 30, ajudando cerca de 100 mil usuários a “botar comida na mesa”.
- Valores e Prazos: O tíquete médio das operações fica entre R$ 50 e R$ 60, com a possibilidade de pagamento parcelado em 15, 30 ou 45 dias.
- Foco em Essenciais: O primeiro produto de crédito B2C é direcionado para financiar a compra de alimentos e itens de farmácias, que são considerados bens de primeira necessidade.
A importância da Koin
Para garantir a escala e a segurança da operação de BNPL, o iFood Pago vai integrar o portfólio da Koin. A Koin, especializada em soluções de crédito e pertencente à Prosus, controladora do iFood, será o braço tecnológico e de análise de risco necessário para transformar o microcrédito inicial em um relacionamento de crédito de maior porte no futuro.
A estratégia das vendas parceladas
Simultaneamente ao BNPL, o iFood Pago lançou o recurso de vendas parceladas no checkout da plataforma, aproveitando cartões de crédito parceiros. Em menos de dois meses, essa opção já movimentou 500 mil pedidos, um número que atesta a demanda por flexibilidade de pagamento.
Expansão de categorias
O parcelamento também foi implementado primeiramente em groceries e farmácias devido ao tíquete médio mais elevado dessas compras (que representam 3% a 4% das vendas do iFood).
- Alimentos: O plano estratégico para 2026 é estender essa alternativa de parcelamento para as refeições, o core do negócio iFood, aumentando o poder de compra do cliente em todas as categorias.
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O iFood Pay e o futuro dos pagamentos digitais
De olho na simplificação e na tendência de pagamentos instantâneos, a iFood Pago está desenvolvendo o iFood Pay. Esta plataforma promete ser o futuro dos pagamentos no ecossistema iFood e será fortemente integrada ao Pix.
Simplificação e segurança
O iFood Pay visa oferecer uma experiência de pagamento mais fluida e segura, aproveitando a popularidade e a agilidade do Pix para transações instantâneas. Esta iniciativa é fundamental para a iFood Pago consolidar-se como o hub financeiro da plataforma, reduzindo a dependência de intermediários tradicionais.
Metas ambiciosas e expansão da prosus
O novo foco B2C e as inovações em crédito sustentam metas financeiras robustas. O executivo Bruno Henriques projeta que a iFood Pago será um motor de crescimento substancial.
- Faturamento Elevado: A fintech ambiciona alcançar **R$ 2,5 bilhões** em receita no ano fiscal que termina em março de 2026, partindo de R$ 1,2 bilhão no ano anterior. Este crescimento reflete a confiança no sucesso da expansão para o consumidor final.
- Modelo Regional: A expertise e os produtos desenvolvidos pela iFood Pago no Brasil são vistos como um modelo replicável. O plano é explorar e implementar essas soluções inovadoras em outros mercados da América Latina onde o grupo Prosus tem presença.
A construção de um relacionamento de crédito duradouro
O iFood Pago não está apenas vendendo crédito, mas construindo um relacionamento financeiro de longo prazo com o consumidor. O microcrédito inicial do BNPL é o primeiro passo de uma jornada que pode levar à concessão de crédito de valores mais altos (R$ 3 mil, R$ 4 mil) e para diversas outras categorias, fora do delivery.
- Fidelização: Ao resolver o problema de fluxo de caixa do cliente no final do mês, a iFood Pago aumenta a fidelidade ao ecossistema iFood, transformando o usuário de delivery em um cliente de serviços financeiros.
- Estratégia de Ecossistema: A regra fundamental de Bruno Henriques é manter a conexão: o crédito sempre estará ligado a um consumo dentro do iFood, garantindo que a fintech continue a alimentar o negócio principal.
A evolução do iFood Pago de uma fintech B2B para um player B2C que mira o consumo essencial é um movimento estratégico e ambicioso, pavimentado pelo sucesso em fornecer crédito e soluções para os restaurantes. Com a liderança de Bruno Henriques, a empresa está utilizando sua vasta base de 60 milhões de clientes para escalar rapidamente produtos como o Buy Now Pay Later (BNPL) e o parcelamento, com o suporte especializado da Koin.
A meta de R$ 2,5 bilhões em receita até 2026 e o desenvolvimento do iFood Pay atestam a seriedade do projeto. O futuro do iFood é inseparável de sua fintech, que está pronta para revolucionar o acesso ao crédito e os métodos de pagamento, consolidando-se como uma das maiores referências do ecossistema Prosus na América Latina.
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