A China e a Índia anunciaram recentemente um debate sobre moeda digital, mas não são apenas esses países de olho na digitalização da moeda. O Banco Central do Brasil (BC) já está começando a trabalhar com projetos para viabilizar o real digital, que vai criar uma moeda digital.
A maioria dos países enxergam nas moedas digitais, conhecidas internacionalmente como Central Bank Digital Currency (CBDCs), a grande possibilidade para melhorar a eficiência do mercado de pagamentos de varejo e de promover a competição e a inclusão financeira para a população ainda inadequadamente atendida por serviços bancários.
O Banco Central vem acompanhando o tema há alguns anos e, em agosto de 2020, decidiu organizar um grupo de trabalho para a elaboração de estudos sobre a criação de uma moeda digital pela instituição. Entenda agora como vai funcionar o real digital.
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Conheça o Real Digital
O Real Digital é uma moeda alternativa, mas com o mesmo valor do dinheiro físico. A proposta do Banco Central (BC) é criar uma carteira virtual sob a responsabilidade de um agente autorizado pelo BC — como um banco ou uma instituição de pagamento.
A nova moeda terá o mesmo valor do real e poderá realizar qualquer transação atualmente disponível, como por exemplo depósito bancário convencional ou em real físico.
Como um avanço nos estudos da proposta, o BC lançou em 30 de novembro do ano passado uma edição especial do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas de Desafio do real digital, o LIFT Challenge Real Digital, que buscou analisar seus casos de uso e sua viabilidade tecnológica.
Ao todo, 9 projetos foram selecionados s na última quinta-feira (3), a fim de serem implementados à partir de 28 de março. Conheça:
- AAVE – recursos de vários poupadores (formando um pool de liquidez) para oferecer empréstimo e garantir a aderência dessas operações às normas do sistema financeiro;
- BANCO SANTANDER BRASIL – conversão de DvP (Delivery versus Payment) para o formato digital do direito de propriedade de veículos e imóveis;
- FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos)– DvP de ativos financeiros;
- GIESECKE + DEVRIENT – pagamentos dual offline;
- ITAÚ UNIBANCO – pagamentos internacionais, empregando método de PvP (payment versus payment) em uma aplicação com a Colômbia;
- MERCADO BITCOIN – DvP de ativos digitais, com foco em criptoativos;
- TECBAN – solução de logística para e-commerce baseada em técnicas de internet das coisas;
- VERT (associada à Digital Assets e à Oliver Wyman) – financiamento rural baseado em um ativo tokenizado programável com valor atrelado ao do real (stablecoin do Real);
- VISA DO BRASIL (associada à Consensy e à Microsoft) – financiamento de pequenas e médias empresas com base em uma solução de DeFi.
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De acordo com o Banco Central, a ideia é que a moeda virtual complemente o real em espécie. Sendo assim, é importante considerar que, no Brasil, ainda há uma grande parte da população sem acesso a serviços financeiros.
Em comunicado, Banco Central afirmou ainda que “quando o BC movimenta a liquidez da economia, em sua missão de garantir a estabilidade do valor de compra do real, a quantidade de reais digitais em circulação será levada em conta”.
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