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“Split payment” ganha regras técnicas para funcionamento na Reforma Tributária

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 7 min de leitura
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Uma venda pode envolver três momentos diferentes: a empresa emite a nota fiscal, o cliente paga e o imposto é recolhido depois. Com o split payment, parte dessa sequência poderá mudar. O mecanismo foi criado para separar e recolher valores de tributos quando o pagamento da operação é liquidado.

A Receita Federal e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) aprovaram documentos técnicos para a plataforma pública que dará suporte a esse processo. O ato de aprovação é de 28 de agosto de 2026 e foi publicado em setembro. Ele define padrões para a integração dos sistemas; não significa que todas as compras passaram a ter o imposto separado automaticamente em setembro.

A mudança interessa principalmente a empresas, instituições de pagamento e fornecedores de sistemas fiscais. Para o consumidor, a pergunta é outra: será preciso pagar um imposto adicional ao fazer um Pix ou passar o cartão? A resposta é não. O split payment trata da forma de recolher tributos incidentes sobre a operação, dentro das regras da reforma tributária.

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O que é split payment?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A expressão em inglês significa pagamento dividido. Na reforma tributária brasileira, ela descreve o mecanismo que permite identificar e separar, na liquidação financeira de uma venda, a parcela referente aos novos tributos sobre o consumo.

Esses tributos são a CBS, de competência federal, e o IBS, administrado no âmbito de estados e municípios. Eles integram a substituição gradual de tributos atuais, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, prevista na reforma. A principal lei que estabelece as regras do novo sistema é a Lei Complementar nº 214/2025.

Em termos práticos, a ideia é relacionar as informações da venda, do documento fiscal e do pagamento para que o recolhimento da parcela tributária ocorra conforme as regras aplicáveis. A aprovação dos manuais é um passo necessário para construir essa ligação entre sistemas.

Como isso funcionaria em uma compra?

Imagine uma compra hipotética de R$ 100 em uma loja. O cliente paga os mesmos R$ 100 que aparecem no preço da operação. Conforme o regime e as regras que vierem a ser aplicáveis àquela venda, o sistema de pagamento identifica a parcela destinada à empresa e a parcela de CBS e IBS a ser segregada e recolhida.

O exemplo serve para mostrar o fluxo do dinheiro; não indica uma alíquota nem significa que toda compra de R$ 100 terá o mesmo valor de imposto separado. O cálculo depende das características da operação, das regras tributárias e dos valores efetivamente devidos.

Também é importante distinguir o preço pago pelo cliente do valor líquido recebido pela empresa após o recolhimento. O mecanismo não acrescenta, por si só, uma segunda cobrança ao consumidor no caixa. Para o negócio, porém, recolher o tributo mais perto do momento em que recebe pela venda pode exigir atenção ao planejamento do dinheiro disponível para despesas e fornecedores.

O que foi aprovado pela Receita e pelo Comitê Gestor?

O ato técnico conjunto aprova a documentação que estabelece procedimentos e padrões operacionais da Plataforma Pública do Split Payment. No portal do CGIBS, estão disponíveis materiais como o Manual de Integração, o Manual de Operações, o Manual de Tempos, o Manual de Segurança, o Manual de Redes e a documentação OpenAPI — esta última descreve como sistemas podem trocar informações de maneira padronizada.

Esses documentos são voltados sobretudo aos profissionais responsáveis pela implementação. Eles orientam, por exemplo, como transmitir mensagens entre participantes, tratar ocorrências, proteger a comunicação e registrar as etapas de uma transação.

A plataforma pública vai calcular o imposto?

Não é essa a função descrita no Manual de Integração. A plataforma é apresentada como um ponto de comunicação entre prestadores de serviços de pagamento, instituições operadoras, Receita Federal e CGIBS. Ela recebe eventos, verifica informações, mantém registros para rastreamento e encaminha os dados ao destinatário adequado.

O manual esclarece que a Plataforma Pública não executa as regras de cálculo, arrecadação ou apuração dos tributos. Essa distinção importa porque uma empresa não deve interpretar a existência da plataforma como dispensa de conferir seus documentos fiscais e seus processos tributários.

Pix, boleto e outras formas de pagamento estão previstos?

O Manual de Integração descreve fluxos de comunicação relacionados a boleto, modalidades de Pix, TED e TEF, entre outros arranjos nele especificados. Entre as mensagens previstas estão informações sobre o início ou a atualização de uma transação, seu pagamento e a segregação após a liquidação financeira.

Isso não quer dizer que cada pagamento feito hoje por esses meios já esteja sujeito ao split payment. A documentação mostra como participantes poderão trocar dados dentro da infraestrutura planejada. A aplicação efetiva depende das etapas de implementação, das regras vigentes e do enquadramento de cada operação.

O split payment começa a valer para todas as empresas em 2026?

Não. Segundo o calendário apresentado pela Receita Federal, 2026 é um ano de teste da CBS e do IBS. A reforma do consumo tem uma transição gradual, com etapas posteriores para a CBS e para a substituição progressiva de ICMS e ISS pelo IBS.

Por isso, é preciso separar dois anúncios que podem parecer iguais:

  • Aprovar documentação técnica significa estabelecer orientações para desenvolver e integrar os sistemas.
  • Exigir o uso do mecanismo em operações concretas depende das regras e do cronograma aplicáveis aos participantes.

A publicação dos manuais permite que instituições de pagamento, desenvolvedores e áreas fiscais avancem nos preparativos. Ela não altera sozinha a maneira como toda empresa brasileira recebe suas vendas.

O que as empresas devem fazer agora?

Para a empresa que vende ao consumidor, o passo mais útil é conversar com seu contador e com o fornecedor do sistema de gestão ou de emissão de notas. O objetivo é entender quais dados da venda precisarão estar corretos e como os meios de pagamento utilizados pelo negócio se integrarão às futuras etapas da reforma.

Já instituições de pagamento e equipes de tecnologia devem acompanhar as versões oficiais dos manuais e os procedimentos de integração publicados pelo CGIBS e pela Receita Federal. Como a implantação é gradual, usar uma versão antiga de documentação ou presumir que todos os meios de pagamento terão o mesmo fluxo pode gerar trabalho desnecessário.

Um pequeno comércio que recebe por Pix e cartão, por exemplo, não precisa concluir, apenas com a notícia da aprovação dos documentos, que deverá mudar seu caixa imediatamente. Precisa, sim, manter suas informações fiscais organizadas e acompanhar as orientações específicas para seu regime e seus sistemas.

O ponto principal é este: o split payment aproxima o recolhimento de CBS e IBS do pagamento da venda, mas a aprovação dos documentos técnicos é uma etapa de preparação. Para o leitor, a próxima ação depende de seu papel: o consumidor não precisa fazer cadastro ou pagar taxa para usar Pix; a empresa deve acompanhar, com apoio contábil, como e quando as regras chegarão à sua operação.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O split payment é um novo imposto sobre o Pix?

Não. É um mecanismo relacionado ao recolhimento de CBS e IBS em operações abrangidas pelas regras da reforma. A aprovação dos documentos técnicos não cria uma taxa para o consumidor fazer Pix.

O consumidor pagará um valor extra ao passar o cartão?

O split payment, por si só, não acrescenta uma segunda cobrança no caixa. Ele trata de como a parcela tributária da operação será identificada e recolhida.

Todas as empresas precisam usar o split payment imediatamente?

Não. Os documentos aprovados orientam a construção e a integração da plataforma. A aplicação efetiva deve observar as regras e etapas de implantação da reforma.

Quem calcula a CBS e o IBS: a plataforma pública?

O Manual de Integração afirma que a plataforma pública atua na comunicação e no encaminhamento das informações. Ela não executa as regras de cálculo ou apuração dos tributos.

Onde consultar os manuais do split payment?

Os documentos e suas versões atuais estão disponíveis na área de Split Payment do portal oficial do Comitê Gestor do IBS.

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